13.8.07

2º Dia Paredes de Coura 2007 [Actualização Permanente]

17h55 Foram poucos mas bons os espectadores que celebraram o concerto de Slimmy no palco Ibero Sounds. O português não se acanhou, pôs o ombro ao léu e mostrou as músicas do seu primeiro disco, acompanhado por bateria, baixo e teclas.

O sol ainda forte impediu grandes intimidades (o público manifestava-se, apenas, a partir de uma certa «distância de segurança»), mas o concerto soou bem oleado e foi recebido com entusiasmo. Slimmy despediu-se ao som de «Self Control», agradecendo o voto de confiança gritado por alguém no público: «Até para o ano, caral...!».

Na assistência, Miguel Ângelo também pareceu apreciar as cantigas electro-rock do artista do Porto.

Às 18h00, os espanhóis The Blows mostraram o seu garage rock no palco Ibero Sounds.

Aos New Young Pony Club coube a honra de abrir o palco principal da edição deste ano do Heineken Paredes de Coura. Estreante em Portugal, a banda liderada por Tahita Bulmer apresentou Fantastic Playroom , primeiro registo de originais ainda inédito no nosso país. Os destaques de um concerto enérgico, com a banda a revelar uma atitude punk chic , vão directos para os singles «The Bomb» e «Ice Cream», para o sexualmente ambíguo «Jerk Me» e para um bem engendrado «Tight Fit» - tema que faz jus ao rótulo de new rave, que a banda insiste em desmentir. O baixo forte, a simpatia e sensualidade da vocalista e a energia característica de uma banda em início de carreira fizeram com que os New Young Pony Club conquistassem novos adeptos entre o público nacional.




Os texanos Sparta chegaram a Portugal com três álbuns na bagagem, sendo Threes o mais recente (2006), e conquistaram o público com o seu rock semi-cabeludo e guitarras vertiginosas. O desespero na voz do vocalista Jim Ward – por vezes transfigurada em vómitos de raiva – e a energia pulsante dos movimentos agressivos do baterista – devidamente acompanhados pelos relampejantes strobes – ajudaram a criar uma atmosfera apoteótica. O alinhamento de onze temas contemplou maioritariamente canções de Threes , destacando-se «Taking Back Control», «Crawl» e «Untreatable Disease». A despedida fez-se ao som de «Air», do primeiro registo da banda, com Ward a saltar para o fosso e a agradecer pessoalmente ao público com incontáveis «Thank You».



Há poucos minutos, os Blasted Mechanism deram por encerrado um concerto que levou à loucura sensivelmente metade do auditório de Paredes de Coura, muito bem composto. A partir da mesa de mistura, a euforia era menos comum do que nas primeiras filas, mas no geral a recepção do público a Karkov e companhia foi muito positiva. Como é hábito, a banda surgiu num ambiente de magia e misticísmo, que invadiu o recinto, muito ajudado pelo fumo e pelas luzes que emergiam do palco. Com um set up um pouco distinto dos concertos em nome próprio, a participação dos portugueses neste festival acabou por ser muito bem conseguida, pesem embora alguns problemas técnicos nos momentos iniciais, tendo o concerto terminado em grande, com um alto nível de energia, que contrastou com uma quebra, sensivelmente a meio do concerto.

00h00 M.I.A. despede-se de Paredes de Coura dando o corpo ao manifesto, ou seja, fazendo crowdsurfing nas primeiras filas do anfiteatro.

Apesar da inquietação que confessara à BLITZ sentir, por se estrear em Portugal num palco tão grande, a autora de Arular conseguiu agitar e surpreender na mesma medida. Acompanhada por uma MC bem ginasticada e por um DJ com todas as batidas e os samples dos seus temas, Mathangi (o seu nome de baptismo) apresentou os novos «Bird Flu», «Boyz» e «Jimmy», bem como os êxitos do primeiro álbum «Galang», «Bucky Done Gun» ou «Pull Up The People».

A postura descontraída (subiu às colunas, entabulou conversa com o público) e o humor de M.I.A. ter-lhe-ão rendido alguns novos fãs, naquela que foi uma aposta arriscada da organização, uma vez que o público de Paredes de Coura é, usualmente, mais afecto ao rock de guitarras.



Depois da «guerrilheira» de cabelos roxos, sobem ao palco Pete Doherty e os seus Babyshambles.

00h42 Pete Doherty não só veio mesmo (de comboio, segundo o Jornal de Notícias) como trouxe pelo menos um êxito dos Libertines, «Time For Heroes». O «brinde» caiu bem aos muitos fãs que se concentram junto às grades e festejam a primeira visita do «enfant terrible» inglês a território nacional.

01h10 Sem guitarrista (segundo Doherty, as autoridades britânicas não autorizaram a sua saída do país), os Babyshambles continuam em palco. Já choveram objectos não identificados, já houve problemas com a guitarra do grande protagonista da noite e um técnico a entrar em palco repetidamente para tentar solucioná-los. Entre o público há um pouco de tudo: os fãs, os curiosos, os espantados e os completamente fora de si. A total indiferença é que parece não morar em terras de Paredes de Coura. Pete Doherty conseguiu decididamente destacar-se no segundo dia do festival.

«Killamangiro» e «What Katie Did», dos Libertines, são algumas das músicas que mais alegram o contingente de fãs.

01h18 Perante a insistência do público, os Babyshambles regressam para um encore. «Fuck Forever» é o tema escolhido para o «reencontro». «Can't Stand Me Now», do segundo álbum dos Libertines, também marca presença neste vitaminado regresso a palco.



Depois de encerradas as actividades no palco principal, os resistentes mudaram-se para o After-Hours. Em palco estiveram os canadianos Crystal Castles com o seu electro trash com pinceladas de jogos de computador. A saltitante vocalista entreteve o público durante pouco mais de meia hora e saiu de palco de rompante, levando consigo os restantes membros da banda. «Crimewave» e «Air War» não ficaram de fora do curto alinhamento. A noite já ia longa, mas houve ainda tempo para subirem ao palco secundário os norte-americanos Guns n' Bombs

Fontes: BLITZ, Sic Radical e Antena 3

Paredes de Coura: Mando Diao cancelam concerto


Segundo a organização, na origem do cancelamento está o facto de o vocalista da banda, Gustaf Norén, se encontrar doente.

Em virtude do cancelamento, os horários deste segundo dia de Paredes de Coura sofreram alterações; os New Young Pony Club começam a tocar às 19h00, e não às 18h00, e também a actuação dos Sparta deverá arrancar um pouco mais tarde do que fora anunciado.

Lia Pereira @ BLITZ

Rock e electro inauguraram Paredes de Coura

O último dos grandes festivais de Verão teve início ontem, onde acolheu durante a tarde os primeiros espectadores. Os momentos altos do início do Paredes de Coura registaram-se, contudo, durante a noite, ao longo da festa de recepção no palco After Hours, o único com actuações ontem, por onde passaram Sizo, Devotchka, Simian Mobile Disco e DJ Fra.

Por volta das 22h30m, o rock dos Sizo já emanava do palco After Hours, tendencialmente dedicado à música de dança mas que no dia de inauguração da edição deste ano do festival incluiu outras sonoridades, uma vez que foi o único a acolher actuações. Foi ao som da banda que os recém-chegados festivaleiros iniciaram o primeiro ciclo de concertos do evento, entre conversas, copos e algum frio - a tarde amena é enganadora, pois esconde uma noite gélida e exigente. A atmosfera tranquila verificada ao longo do dia foi da dando lugar a uma energia e dinamismo que antecipam alguns momentos de descarga durante o festival. Devotchka
O espectáculo dos Devotchka ajudou a reforçar essa ideia, uma vez que o grupo norte-americano chegou, viu e venceu, servindo um rock alternativo de tempero cigano e mariachi que parece ter agradado a grande parte do público que se foi acumulando nas proximidades do palco. Com uma música festiva que cruza várias origens geográficas, a banda ofereceu motivos suficientes para que os aplausos dos espectadores fossem recorrentes, apostando numa sucessão de canções que resultam bem ao vivo e convidam à disseminação de poeira pelo recinto, consequência natural do entusiasmo dos fãs que terão consolidado ou conquistado.

A energia manteve-se logo a seguir com o DJ set de Jas Shaw, metade dos Simian Mobile Disco, que em vez de fechar a noite como previsto actuou pela uma da manhã, debitando duas horas de electro e techno, investindo assim num formato menos pop do que o do disco do seu projecto. Simain Mobile DiscoComeçou com "Sleep Deprivation, o tema que inaugura o álbum de estreia "Attack Decay Sustain Release", canção que faz jus ao nome já que é difícil sentir qualquer resquício de sono ao ouvi-la. O restante alinhamento contemplou essencialmente canções de terceiros, casos de remisturas de nomes como Björk ou DJ Mehdi, ainda que dois singles dos Simian Mobile Disco tenham sido alvo de atenção: "It's the Beat" e "Hustler", vendavais dançáveis que geraram um elevado número de saltos por minuto entre o público.
Próximo dos Soulwax (formato nite versions) e dos Digitalism, o set foi sempre eficaz embora por vezes algo redundante, faltando-lhe o eclectismo que o seu autor revela em disco. DJ Fra deu continuidade aos tons dançáveis a partir das três e meia e continuou a animar os muitos resistentes durante a madrugada, prevendo-se por isso que hoje muitos festivaleiros irão acordar bem tarde. Público a dançar

Recomenda-se, no entanto, que não acordem tão tarde ao ponto de perderem a estreia dos New Young Pony Club em palcos portugueses, ou não fosse o grupo britânico o criador de um dos mais refrescantes discos do ano, "Fantastic Playroom", exemplo de indie pop inteligente e imaginativa. A banda actua no palco principal, o Heineken, às 18h, sendo seguida pelos Sparta (19h), Mando Diao (20h10), M.I.A. (23h) - outra estreia em Portugal a não perder - e Babyshambles (00h30). No palco Ruby - ou jazz na relva - actua Zappa, no Ibero Sounds há Slimmy e The Blows, e para o After Hours ficam os Guns n' Bombs e os Crystal Castles, estes últimos - mais uma estreia num festival cheio delas - capazes de oferecer um espectáculo incendiário, moldado por electrónicas cruas e agressivas.

Gonçalo Sá @ SAPO Notícias