SBSR | TV on the Radio (esforço descompensado)
Depois da energia de Beth Ditto, e os The Gossip , entraram em palco os TV On The Radio, cujo o último trabalho, "Return to The Cookie Mountain" foi considerado pela crítica como um dos melhores de 2006.
A expectativa era por isso grande, e apesar de os TV On The Radio não terem desiludido, ficou a sensação que poderiam ter dado um pouco mais. O quinteto optou por oferecer uma setlist, porventura, mais curta e prolongar os temas, tornando-se um pouco cansativos, e por apresentar muitos desses com arranjos diferentes do original, o que nalguns casos abafou as vozes e tornou imperceptível algumas das palavras que iam sendo cantadas, pelo vocalista principal.
De resto, foi clara a aposta dos TV On The Radio num pendor mais rock, mais orgânico e agressivo, na reprodução ao vivo das suas músicas. 'Province' e 'Wolf Like Me' foram disso exemplo, com a guitarra e bateria a assumirem destaque principal, funcionando em dupla.
Os momentos musicais, protagonizados pelos dois executantes, foram um dos melhores da actuação, não obstante a entrega do vocalista, que devido ao volume do som dos instrumentos acabou muitas vezes por puxar a voz em demasia.
Com boas execuções musicais dentro dos temas, mas nem sempre mantendo uma coerência harmoniosa no seu todo, os TV On The Radio deixaram para o fim 'Staring at the Sun", ao qual deram também um arranjo diferente, oferecendo uma roupagem electrónica, com a bateria a marcar forte ritmo e a guitarra em riffs prolongados; uma opção que fechou bem o concerto e constituiu um dos seus melhores momentos.
Segue a festa colorida com os Scissor Sisters.
(Texto de Ana Tomás)

A voz roqueira de Beth, com laivos das vozes dos anos 60 e travo a soul/blues, encontrou eco perfeito nos temas rock, ora mais punk ora mais dançáveis, que fazem parte do repertório da banda, sendo que em termos técnicos a reprodução dos mesmos foi quase tecnicamente perfeita.
A energia fulgorante da cantora, que trouxe um vestido curto com riscas azuis - bem veraneante a fazer jus ao calor que disse adorar sentir - começou com 'Eyes Open'.
Muito comunicativa, Beth Ditto foi falando com o público agradecendo e elogiando duas bandas: Tv on The Radio e os portugueses X-Wife, que apelidou de «muito boa gente» e «com quem foi uma honra partilhar o palco». Apesar da curta actuação, a artista teve a inda tempo para comentar os cartazes e dizer que a primieira palavra que aprendeu em português foi «bunda».
O divertimento depois e durante a interpretação, bem ao jeito roqueiro, das canções, foi, de facto, entrecruzado com muita simpatia e comunicação com a assistência. Os sussurros que se ouviriam com 'Listen Up', uma das mais reconhecidas pelo público, tiveram também direito a uma versão rock, que os Gossip fizeram de 'Careless Whisper', de George Michael.
'Jealous Girls' e Standing in the Way of Control', já no fecho encarregaram-se de dar mais provas do rock contagiante e dançante dos Gossip, que como disse Ditto, deram de facto o seu melhor.
João Vieira e parceiros contaram com espectadores privilegiados - nada mais que Beth Ditto, vocalista dos Gossip que, junto de Cláudia Efe dos Micro Audio Waves, apreciou numa zona lateral do palco a performance da banda do Porto.
Temas como «Ping Pong» e «Eno» gozaram de reacção expedita por parte da plateia. Um óptimo acontecimento para o que haveria de acontecer de seguida: a estreia dos Gossip em Portugal.







Além do novo disco o quinteto, altamente coeso e coerente, trouxe, também, o álbum homónimo de estreia na bagagem, dois trabalhos pontuados por um perfeito casamento sonoro entre a pop psicadélica, o acid-house, o punk, o rock e até o disco sound.
«Obrigado por terem ficado para nos ver. Gostamos de estar aqui», afirmou Murphy nos instantes iniciais da actuação. O líder do grupo é controladamente descontrolado, tão enérgico quanto intenso, meticuloso e extremamente atento e até preciosista em relação a tudo o que se passa no palco.
'Daft Punk Is Playing At My House', 'Yeah', 'Time To Get Away', 'All My Friends' e 'North American Scum' levaram o público ao rubro, a um estado de completa alienação e sintonia plena com a banda, que provou ser uma das melhores formações ao vivo da actualidade.
Um dos muitos momentos altos do espectáculo, que sempre oscilou entre um concerto rock e uma enorme pista de dança ao ar livre, foi a soberba interpretação de 'Tribulations' que, se em estúdio já é grande, ao vivo é ainda melhor.
Já no encore ouviram-se mais três temas, sendo que, para a despedida, os LCD Soundsystem reservaram o fabuloso 'New York I Love You, But You're Bringing Me Down'.




De terras de Sua Majestade veio o rock com inspiração post punk e new wave e o primeiro grande concerto da noite, neste segundo dia do Act 2 do SBSR. O colectivo britânico apresentou-se pela segunda vez em Portugal, depois de uma passagem pelo festival Sudoeste, em 2005.
«A próxima música é sobre a forma como as coisas acontecem», disse o vocalista Paul Smith para introduzir o tema 'Parisien Skies'. «Vamos tocar algumas músicas do nosso novo disco, que se chama "Our Earthly Pleasures"», afirmou o cantor antes da electrizante 'Our Velocity', um dos momentos mais poderosos de todo o espectáculo.
Em palco, os Maxïmo Park são ainda mais sublimes do que em disco. Paul Smith (voz), Dunkan Lloyd (guitarra), Archie Tiku (baixo), Lukas Wooller (teclados) e Tom English (bateria) brindaram o público que se encontrava no Parque Tejo, em menor número do que nos dias anteriores, com um concerto intenso, pleno de rock puro e duro, e uma entrega em palco sempre em crescendo.
Paul Smith é um frontman de mão cheia e soube captar a atenção da audiência com uma dose q.b. de profissionalismo e algum sentido de humor. Ao vivo a sua voz é irrepreensível e os restantes elementos do colectivo não lhe ficam atrás, tanto em entrega, como em talento. O público respondeu muito bem à dedicação e afinco demonstrada pelos Maxïmo Park, ora com palmas e braços no ar, ora saltando de forma descontrolada. «Vejo-vos a saltar aí atrás. Vá agora não fiquem embaraçados!! (...) Vocês são muito simpáticos. Obrigado por terem vindo. (...) Gostaríamos de voltar a Lisboa ou a Portugal quando vocês nos quiserem de novo cá», disse Paul Smith, já perto do final do concerto.
Dentro de instantes, os veteranos The Jesus And Mary Chain vão subir ao palco do Super Bock Super Rock e, logo depois, será a vez do grupo de James Murphy, os LCD Soundsystem, um dos concertos mais aguardados da noite. Aguarde aqui também a crítica e as fotos.
Notou-se que poucos fãs da banda estiveram presentes, pois o "Clap Your Hands Say Yeah!" não foi muito a ideia do público. É realmente preciso aprender a gostar desta banda bastante diferente do habitual, e é com desagrado que vos tenho a dizer, enquanto fã destes, que apesar da casa não ter diminuído, a aceitação do público não foi favorável. Culpe-se também a hora da actuação, que quer para estes senhores quer para os Linda Martini foi injusta, pois ambos mereceriam ter actuado mais tarde com um ambiente mais acolhedor e festivo.





O espectáculo acabou agradavelmente ao som de «Da Vertigem Sou Mendigo», com o single «Morfina», o primeiro single da banda. Incluiu também uma versão para «Canção de Amigo», do projecto Um Zero Amarelo - tal como os Mundo Cão, uma banda com ligação directa a Braga e aos Mão Morta.
A casa não está ainda muito cheia, como é ritual neste festival. Seguem-se os Linda Martini, com um trabalho de estúdio de Rock com todos os Prefixos e Sufixos que lhe possamos chamar, mas com uma intensidade inegável. Esperemos pela crítica, aqui, dentro de instantes.
