SBSR | Finalmente Arcade Fire!
Os Arcade Fire foram sem dúvida e merecidamente a banda mais aguardada deste primeiro dia do Act 2, e as fotos mostram isso mesmo. Apesar de não ter passado tanto tempo assim desde a sua estreia em Paredes de Coura (2005), o desejo de ver o grupo que é considerado uma das melhores bandas do mundo actuais - por público e outros músicos - e cujo sucesso na altura começava ainda a ser adivinhado e conjecturado, é quase tanto como se de uma estreia ou de um longo interregno se tratasse.
E tudo se conjuga numa osmose, que combina ecos da fama do colectivo ao vivo cá e lá fora, e sobretudo reconhecimento pela qualidade da sua música e admiração pelos seus executantes - um todo envolto numa áurea de reverência e quase sacralização, perto de abalar um ateu convicto.
O estado sublime a que as composições são elevadas, sustentadas pela grandesa da banda ao vivo - todos os elementos tocam vários instrumentos, trocando as posições -, traduz-se em momentos de rara beleza, que perpassam uniformemente ao longo da actuação, independemente da energia rítmica de cada uma das canções. Com um cenário a condizer - pano vermelho de fundo, orgão de tubos, e pequenos ecrãs circulares - os músicos encheram o palco, tanto em número como em interpretação.
'Black Mirror' foi a canção escolhida para dar um início à actuação, onde à voz de Win Butler (e não só) se juntou frequentemente o brilho de Régine Chassagne e de Sarah Neufeld (no violino), com vestidos de cetim a realçar todo o ambiente grandioso do pop-rock dos Arcade Fire, com a sua "délicatesse" de reminiscências clássicas.
E se a entrada foi mais ou menos sóbria, não nos esqueçamos que esta é uma liturgia em néon, como o nome do segundo disco da banda canadiana, "Neon Bible". Por isso, os tons multicolores começaram a ganhar a forma logo de seguida com 'No Cars Go', prosseguindo com a fresca e tropical 'Haiti', e 'Antichrist Television Blues' a culminar na poderosa 'Intervention', aqui com uma entrada um pouco mais despojada que a da versão original. Também num formato simples, com a guitarra, o baixo e a bateria em destaque, Win Butler reproduziu o slow ondulante 'Ocean's Noise', um dos mais belos temas de "Neon Bible".
A energia e vivacidade retomariam em surpresa com o regresso a "Funeral", o primeiro disco, através de 'Neighberhood#1. De resto, a música serviu de deixa para Win Butler brincar e contar que no bairro onde vive, em Montreal, já o fez sentir como «na faixa de Gaza», isto durante a final do Euro 2004, uma vez que a zona fica entre um bairro de portugueses e outro de gregos. Os coros prolongados da assistência depois das músicas já terem acabado também levaram o cantor a sugerir que os presentes se mudassem para o palco, elogiando o seu «fantástico» apoio. A festa prosseguiu na vizinhança, ainda em "Funeral", por 'Neighberhood#3' e 'Rebellion (Lies)' a culminar em êxtase colectivo.

'Keep the Car Running' deu a saída em apoteose deixando apetecível a espera por um encore bem recheado de mais uns quantos temas que saciassem o espírito. Mas no regresso houve apenas direito a mais uma. 'Wake Up' fechou com chave de ouro um concerto grandioso.
Das guitarras eléctricas e acústicas ao bandolim, passando pela percussão, teclas, acordeão e instrumentos de sopro, os Arcade Fire criam música num território fértil em inovação, reinvenção, perfeição técnica e beleza. E como diria o locutor da BBC, Zane Lowe, a propósito de um dos temas do grupo, «se isso não [nos] toca de forma especial», é-se digno de pena.

Acompanhe os restantes dias deste festival no Especial SBSR, do 13ª Arte.
(Texto de Ana Tomás)









Os Magic Numbers confirmaram que também eles juntam uns quantos fãs em Portugal, apesar do contexto de festival ajudar a preencher mais a moldura humana na expectativa pelos nomes mais conhecidos do cartaz.
Talvez numa outra oportunidade regressem para um encontro mais a sós. Não perca ainda as críticas mais quentes deste dia: Arcade Fire e Bloc Party. são texto e fotos a ouvir no 13ª Arte!
O grupo inglês, a conseguir reunir audiência numerosa em frente do palco (o que faz prenunciar «boa casa» para os restantes concertos), passa em revista o seu álbum de estreia quase na totalidade. De Myths of the Near Future ouviram-se temas como «Gravity's Rainbow», «Atlantis To Interzone», «Golden Skans», «Magick» e «It's Not Over Yet». O trio, com o baterista mencionato acima, mostrou-se comunicativo. O som da banda em palco é, curiosamente, mais definido do que em disco e mais aluncinante - da amálgama sonora dançante que encontramos em Myths passam a um registo mais funk, com todos os instrumentos (nomeadamente os teclados) a distinguirem-se substancialmente.
Não perca aqui as críticas às actuações de Magic Numbers, Bloc Party e Arcade Fire. Fique atento.
«You've got to be so fucking free!» - foi ao som deste grito de guerra que The Gift remataram a sua passagem pelo palco do SBSR. Energicamente, como já era de esperar, o concerto contou com alguns "presentes", como a presença de um coro de seis vozes femininas em «Actress» e a apresentação de «645», que Sónia Tavares anunciou ser o próximo single de Fácil de Entender.
A vocalista dos alcobacenses arrancou boa reacção aos espectadores, como mostra a foto. «Até tem uma voz potente», surpreendia-se uma jovem perto de nós. «Está é nua!» (exagero, claro). Palmas acertadas e danças sortidas foram pedidas pela banda e oferecidas pelo público, animado por receber a última banda portuguesa do dia. Público esse, que a certa altura ordenou a Sónia que retribuísse, com um animado «E salta...». «Saltem vocês, que é para isso que aqui estão», retorquiu a vocalista, tanto certa tanto irónica.
Acompanhe, aqui no 13ª Arte, toda a informação sobre as próximas bandas. 
Nada que impedisse os músicos, sobretudo o baixista (Pedro Calhau) e o teclista (André Ferrão) de enriquecer instrumentalmente o espectáculo 'Flip Flop', 'Let Me Understand' - dedicada a Coimbra - 'Hungry' e 'Bunnyranch' (quase compiladas em meddley) foram apenas alguns exemplos do feixe enérgico que percorreu todo o palco, tendo em Kaló o interlocutor, que puxou da voz e da bateria sem esmorecer.
Justificando ao vivo as boas críticas que o seu último disco colheu, os Bunnyranch encheram o final de tarde com uma energia vibrante de puro rock n'roll, à qual Gui, dos Xutos e Pontapés, assistiu, do palco e com direito a referência pela banda, devido à colaboração no seu trabalho.
Acompanhe aqui a actualização ao primeiro dia do Act2 do Super Bock Super Rock.
Não interessa de onde são. O que interessa é que não gostam de sopa. Segundo eles, Smux é um porquito, o Smox é um boi, e o Smix ainda estão a decidir... Smix Smox Smux é um jogo em que três indivíduos só podem dar um toque numa bola e ela só pode bater uma vez no chão! Os maus da fita são a carpete e o balde. O Smix toca baixo, o Smox toca guitarra e o Smux toca bateria. Quem canta? Eles os três. Pelo menos tentam.
















